Muito me emociona o Rio de Janeiro. É uma formação geológica incomparável. Uma combinação de litoral de lindas praias com centros urbanos, exuberantes matas e áreas rurais, tudo aqui num mesmo lugar.
Acompanhei todas as mudanças que aconteceram ao longo do tempo. E acho que o povo carioca sempre gostou muito de curtir toda essa fantástica obra da natureza, que Deus promoveu para nossa felicidade.
Mas nós, ao longo do tempo, deixamos a desejar. Ficamos acomodados em relação às mudanças que aconteceram sem planejamento.
Uma das coisas que muito interferiu na manutenção do equilíbrio da natureza do lugar, foi o crescimento desordenado. Muito pouco se fez em termos de projetos habitacionais para o povo e ao mesmo tempo se permitiu a construção de residências em terras invadidas.
Não dá para aceitar a forma como tudo isso aconteceu e vem acontecendo aos olhos de nossos governantes, que nós elegemos, aos nossos olhos també das associações de bairros, que foram constituídas para defender os espaços públicos e atender as necessidades do povo carioca, denunciando e atraindo seus moradores, para alertar e impedir que todas essas irregularidades acontecessem. Aceitamos e ficamos de braços cruzados durante todo esse tempo.
A engenharia, todos nós sabemos, contempla todas as necessidades para que uma construção seja realizada dentro dos mínimos padrões aceitáveis, sem riscos e agressões à natureza. Assistimos aos políticos que elegemos defenderem as invasões.
Hoje temos diversos problemas para solucionar. Cada vez que o tempo vai passando e não nos envolvemos com essas questões, as soluções vão se tornando mais difíceis e caras.
Precisamos nos organizar, sair às ruas para defender o que temos, pois o espaço público também é nosso patrimônio, tanto é que pagamos para alguém administrá-lo.
Alguma coisa ainda pode ser feita para melhorar o Rio de Janeiro, onde nasci e fui criado no bairro de Jacarepaguá. Hoje se investe na conquista de outros planetas e não sabemos cuidar onde nós moramos.
O espaço público precisa ser replanejado e ajustado para o bem de todos nós. Precisamos modificar a nossa cultura de achar que é só pagar e esperar que as coisas aconteçam.
Se saíssemos às ruas e denunciássemos, mostrando o que e onde está errado, as coisas seriam bem diferentes do que são hoje, e não teríamos que pagar tão caro e com investimentos cada vez mais altos. Com certeza teríamos uma qualidade de vida melhor.