Até os 13 anos, morei numa mesma casa na Rua Nova dos Portugueses no Chora Menino (depois viria a morar em duas casas na mesma rua). Tinha o seu Alcides que era o sapateiro, o salão do Barroso, a farmácia do seu Sérgio, a familia Butuem que chegou a fazer um onibus para passeios familiares, o peixeiro com sua charrete, o pai e o filho que em seus carrinhos de mão vendiam pipoca, amendoim e paçoca (algumas sorteadas com direito a ganhar outra), um mercado chamado do COAP, o bar do seu João Quintal, passavam onibus pra Lapa e Praça do Correio, a familia Maia, tinha corso da festa portuguesa, os enterros passavam a pé, eu estudava no Copa, eu era apaixonado pela Vitória, e depois pela Sandra e depois pela Suzana, e mesmo vindo a torcer pelo Palmeiras e depois pelo Corinthians, descobri que amava mesmo a Lusa. Aquele pedacinho da Zona Norte era meu mundo num mundo muito maior que é São Paulo.